Fazendo Arte, “Seu” Canibal?!

O pintor maldito é o personagem em cuja veste plástica o Canibal foi escolhido no ninho da civilização. Em outras palavras, o Canibal foi capturado pelo diabo culto.

As imagens que o canibal produz saem de um fundo obscuro e não-contemporão, anterior à história, anterior às boas-maneiras. Imagens feitas de uma substância assassina, tal qual, pronta a atacar todo aquele que a veja.

O Canibal tem como alimentos principais o êrro e o depheito: come eles todo dia!

O Canibal é forte e sadio, come essa comida toda, não rejeita influências, nem rompe tradições (ninguém tem a força!), incorpora qualquer coisa que interesse e tenha uso. Ele come e torna-se elas. A idéia da originalidade era álcool e evaporou-se...

O trabalho do Canibal é uma forma redundante e obstinada de oposição à hegemonia maçante e deslumbrada, a Fanfarra Doutrinária: a Nova Medusa de cabelos de cabos de
USB.

Faz isso porque há uma necessidade absolutamente humana de mistérios..., e a experiência subjetiva autêntica torna-se mais e mais desesperada no confronto com esta
medusa. E a vontade e única saída do Canibal é cortar a cabeça desta monstra (mesmo que seja só em sonho).

O trabalho do canibal é feito no quintal, suas mãos ficam sujas e furadas por farpas. Não há nada limpo lá, não há assepsia. Seu trabalho está longe de ser uma super produção
Roliudiana patrocinada por Bancos Estatais ou Privados, Multinacionais Petrolíferas e Agencias de Fomento. Não! É trabalho sujo mesmo, feito de pau velho, trapo.

Apesar de bravo, ele aceita os desígnios do Acaso, com resignação. Sua casca é grossa, mas seu coração é de alcachofra, e o que ele quer é criar Riquezas, não no seus bolsos,
que estão sempre furados, mas Riquezas Curiosas, um outro tipo de beleza.

À pergunta inicial, ele responde: Eu faço!

No fundo ele quer derrubar a grande “Montanhaverde”, não apenas para passar por ela; ela que tapa a larga envergadura do nosso horizonte.

Lá, a rapina alcandorada o espia!

Maramigalhas, mestre, doutor, oriental e canibal.